A exploração de petróleo e gás da camada de pré-sal pode
impulsionar um grande avanço no desenvolvimento do Brasil, porém deve ser
conduzido por políticas públicas que promovam o desenvolvimento do país ou todo
esse potencial pode estar ameaçado por decisões equivocadas de gestores
públicos, o que levaria ao esgotamento das riquezas em algumas décadas sem a
consolidação de retornos para a população na forma de investimentos em
infraestrutura, inovação tecnológica e educação.
Esse foi o tema de debate do “Fórum Desafios do Pré-Sal:
Riscos e Oportunidades para o País”, realizado no dia 4 de junho na Unicamp. O
evento realizado no Centro de Convenções da Unicamp, contou com especialistas
da Petrobras, geólogos, engenheiros e economistas que discutiram as implicações
da descoberta de grandes reservatórios de petróleo.
José Alberto Bucheb, gerente geral da Universidade Petrobras,
o tema é bastante atual não apenas para a Petrobras, mas também para indústrias
e para a sociedade brasileira. “É uma perspectiva muito positiva de um ciclo de
desenvolvimento tanto na área industrial quanto na de ciência e tecnologia.”
Para Bucheb há um ciclo de desenvolvimento bastante acentuado, e a parceria de
universidades com empresas é um grande salto qualitativo no país.
Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração da Petrobras, afirma
que o pré-sal vem para confirmar a autossuficiência energética brasileira, que
possui uma importância estratégica para o desenvolvimento nacional. E defende
que o país precisa de um plano estratégico de segurança energética, uma vez
que grande parte da energia usada do Brasil depende de hidrelétricas.
Antonio Cláudio de França Corrêa, assessor de Planejamento
Estratégico da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), afirma que o Brasil só tem a
ganhar com o pré-sal, os riscos existem, como impactos ambientas, mas perto dos
ganhos, eles são apenas detalhes.
Hoje, de acordo com a Petrobras, são produzidas na Bacia de
Santos e Campos, em média, 400 mil barris de petróleo por dia, com registro do
recorde de 470 mil barris em 11 de maio
de 2014. E as estimativas são que em 2018, 52% do petróleo utilizado no país
seja das reservas do pré-sal. A área do pré-sal, que se estende entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, é de 149 mil km², o que equivale a aproximadamente 1,3 milhões de campos de futebol.
O que é o pré-sal?
O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas
em águas ultraprofundas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial
para a geração e acúmulo de petróleo. Convencionou-se chamar de pré-sal porque
forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de
sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m.
O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas
rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total
dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios
de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros.
As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas
pela Petrobras na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina
e Espírito Santo, onde se encontram grandes volumes de óleo leve.
Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo identificado no
pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre.
São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado.
Fonte: Petrobras